Terça-feira, Julho 28, 2009

Quase Fim

_Chega.


Ela pega sua mochila e começa a enchê-la com o que ainda restava de si naquele lugar.


__Susan, espera.

__Esperar o quê? Esperar você decidir se quer ficar comigo ou com as putas que você traz aqui? Estou cheia disso, cheia de você me ligar em uma noite qualquer só pra foder comigo. Não é assim que as coisas funcionam, Jorge, e você devia saber disso. Não é assim que as coisas funcionam comigo.

__Eu te amo...

__Ama o caralho! Você só diz isso quando está muito bêbado ou quando está me perdendo. Não sei quantas cervejas você bebeu, mas eu estou indo embora.


Coloca a mochila nas costas e atravessa a porta, batendo-a com a força que teve para sair de lá. Caminha rapidamente, ofegante, a fim de sair logo dali, de não deixar o amor a alcançar. Sente o asfalto gelado e percebe que esqueceu seus sapatos. Ela não se importa, não se importa com os sapatos. Por mais que eles fossem os seus preferidos, vermelhos, eles já estavam gastos demais.

Domingo, Julho 12, 2009

Rotina

Aparentemente feliz, buscando pretexto pra sorrir, buscando pretexto pra não chorar. É assim que ele vive agora, fingindo não sentir o que sente. Parece que funciona, mas quando está sozinho e sem música, a tristeza vem de tal maneira que seus olhos incham. Então ele se esconde debaixo do travesseiro e três dias depois, quando seus olhos estão mais visíveis, ele retorna à vida mascarada e encara a todos com um sorriso amarelo. Mas a culpa não é dele, não.


O inferno é o outro.