Con-tente
Hoje me deu ataque de risos na casa da vizinha.
Justo hoje, que eu derrubei café no meu livro, que fui obrigada a bater o dedo do pé no canto da mesa. O dia em que eu li absurdos no jornal e fui perseguida por um cachorro gigante depois de fazer cinqüenta exercícios de física. Que eu precisei sorrir a quem eu nem queria. Um dia tão frio que me deixou fria.
Mas quando ela me entregou o açúcar e disse ‘aqui está’, eu vi que de fato, estava tudo bem. E então, eu comecei a rir. Ria como se rir fosse algo novo. Era uma mistura de gargalhadas com ecos de gargalhadas, tudo junto, sem fim. Eu me apoiava no portão e minhas pernas quase não conseguiam sustentar tanto desejo de rir. Foi como sorrir de tanto morrer. Tentava dizer que não era nada demais, numa língua feliz, cheia de suspiros e lágrimas sorridentes. Ela me olhava assustada, acho que ficou com medo de mim. Talvez ela só ria disso mais tarde.
Ouvindo: Pense e Dance – Barão Vermelho

4 comentários:
pois é. é fato. nasce uma escritora. laís não escreve por escrever. escreve por que o mundo precisa de suas palavras.
Risos a gente também dá quando senta em um banco sujo e caindo aos pedaços.
Risos a gente dá quando vemos pessoas morrendo e ainda achamos graça.
Ficamos contentes quando confundimos uma amiga com um vizinho maluco.
Todos ficam assustados quando veêm dois malucos fazendo coisas normais.
E o melhor, é que rimos antes, enquanto e depois.
;)
Dias assim são ótimos! Felicidade sem explicação!
me deu vontade de chorar...
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