Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Descafeinado

Aquele restaurante vazio o assusta. Queria mais do que um jiló com as sobras do seu prato ou aquele livro da história do Brasil, dentro da mochila, que ele tanto gostava. Sentia falta de pessoas, de uma conversa que realmente o faria não querer parar de falar. Alguém que o completasse, alguém que compreendesse uma mente diferente de dezesseis anos.

Seu par de olhos azuis muitas vezes chamava atenção, mas ninguém se preocupava em mergulhar neles. Um sorriso atraente, mas não havia alguém para lhe perguntar por que sorria. Não era gordo nem magro, um tipo que agradava. Braços longos e fortes, alguns calos nas mãos devido ao violão e um pé esquisito, na opinião dele, mas todos diziam que ele estava enganado. Talvez seja só questão de ponto de vista.

Queria fugir daquele lugar. Decide se encontrar, ou encontrar alguém. Pede a conta ao garçom e pensa que com seu talento notável pra cozinhar, poderia um dia abrir um restaurante. Mas esse pensamento logo se perdeu, não tinha dinheiro pra isso. É sempre sincero, não pôde evitar. Antes de se levantar, alguém um tanto interessante lhe chama a atenção. Enfim, era sua chance. Precisava tentar, mesmo que sua ansiedade dificultasse. E depois disso, tentar controlar seu nervosismo diante dela. Herdado do pai, ele sempre lembrava.

Ele se levanta, pensa um pouco e caminha. Cada passo parece levar uma eternidade e aquela mesa não estava tão distante assim. Então, ela estava na sua frente. Agora parecia ter sido tudo rápido demais. Ele diz ‘olá’ e enxuga sua mão molhada na calça listrada. Ela diz gostar de Rock também, ao notar sua camiseta do Cold Play. Ele sorri e se senta acanhado. Agora não há mais tanta timidez. Ele se apresenta como Fred, diz gostar de geografia e que o cabelo dela era bonito. Pediram um café e foi tanto assunto que ele até confessou sua paixão pelo filme da Amélie Poulain e que nasceu dia 20 de dezembro.

Ouvindo: Cold Play – Fix You

4 comentários:

Teko disse...

Eita! O texto troxe-me confusão!
Talvez o título tenha imposto perspectivas nada estimulantes. Talvez a sobrecarga de atividade mental não me permita ligá-lo ao texto.

A verdade é que li e entendi que por mais desajustado que se entenda, haverá sempre a chance e devemos sentar à mesa! E então Confessar!


Até Menininha de Ouro!

Abraço Tênue!
Boa noite.

Júnia disse...

Li com os olhinhos brilhando!

(Nem parece uma redação de escola, muito bom. *-*)

Johnn. disse...

Muito Muito Muito Muito bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



do caralho!


parabéns!

JANPITER INZAGHI disse...

Que situação bacana de se conhecer alguém. Simples e rica ao mesmo tempo. Muito bom.
beijo