Além do que se vê
Uma vida. Alguns países permitem a eliminação legal das quais cometem crimes hediondos. Talvez uma evidente e possivelmente, determinante pergunta, não foi estudada. A própria: seria isso, a solução?
Muitos acreditam que sim, afinal, agiríamos da mesma forma que atuou o criminoso, ao estilo de uma lei de 1730 a. C., uma das mais antigas. Outros argumentos como intimidação é bastante usado, enquanto isso, os países em que a pena de morte é legalizada, os índices de criminalidade continuam constantes ou aumentam. Há também quem diga que evitar-se-ia gastos na cadeia com esses criminosos, se tais fossem eliminados. Acontece que o processo de aceitação da morte de um indivíduo é bastante lenta e durante sua prisão temporária ou não, o criminoso está sujeito a tratamento especial, com cárcere protegido para evitar linchamento, apelações, vigias, sacerdotes, maquinário e carrascos, o que custa três vezes mais que um aprisionamento perpétuo.
Se se acredita que a solução da criminalidade de um país seja a morte, por que então vivemos? Ironicamente, talvez para assistirmos o crescimento de milhares de crianças sem estrutura familiar e educação desqualificada, para quando chegarem a idade adulta cometerem crimes e assim presenciarmos a sua morte. O governo age dessa maneira, porque ir a fundo e tentar solucionar os problemas sociais do país é um trabalho bem mais árduo do que simplesmente tirar a vida de alguém. Um país que legaliza a pena de morte carece de condições morais para dizer quem merece viver ou não. Sem contar que nessas condições, pode haver injustiça.
Quando o assunto pena de morte é mencionado, há quem levante a mão e diga que é a favor. É fácil levantarmos a mão, enquanto alguém morre. É fácil concordar com tal barbaridade e agirmos, despercebidamente, como nazistas, que sempre foram condenados. Difícil é seguirmos o caminho mais longo e demonstrarmos ética. Pode ser difícil, mas é o que justifica a vida.
Ouvindo: Johnny Cash - Cocaine Blues
