
‘E e, por que eu tenho pessoas que gosto tanto, tão longe?Por que conversas tão significativas por MSN?Por que eu não posso fitar seus olhos e dizer o quanto gosto delas?Por que, céus, por que eu não posso abraçá-las?Mais uma vez, eu tenho que reprimir um sentimento, não pode cultivar. Eu, eu queria ter dinheiro e liberdade pra fazer o que quisesse. Mas eu não quero dinheiro pra comprar o vestido que a moça da novela usa, que me importa isso?Eu quero é realizar meus sonhos, poder sentar na mesinha de um bar com eles e guardar cada instante. Eu trocaria a jóia mais cara por um momento assim, eu trocaria, e nem pensaria. Céus, não é justo.
Alguém quer me patrocinar nessa vida estranha?Eu pago quando puder juro!A gente parcela, sem juros de preferência. Você me faria rir mais que uma hiena. ’
Vocês lá, eu aqui. Mais de 450 km, seis horas. E isso nunca nos confortou, nunca foi o suficiente e não queríamos que fosse assim, sempre. Acontece que limitações não são nada diante de quem se gosta e a cada instante que eu imaginava que logo elas não existiriam, eu não conseguia me conter. O que era fato agora se desfez e parte do que tava acumulado, se cultivou. A corda arrebentou, o sol se acanhou e a minha vida transformou. Dezenove de julho de dois mil e sete (19/07/2007), o dia em que juntamos tudo numa coisa só. Cada instante, cada palavra, cada sorriso. O que antes, em revolta, eu gritava, agora em sussurro digo ‘como foi bom’. Sabe aquele abraço?Eu tive muitos, bem apertados. Sabe as conversas na mesa de algum lugar?Tive. Sabe aqueles olhares tímidos?É, eu tive. Sabe o silêncio, aquele silêncio barulhento que dizia ‘cara, eu to do teu lado’. Eu tive, mew. Sabe os sorrisos contidos e incontidos?Pois é.
Meio-dia. Eu sentada no banco da praça, sozinha. Incrível como imaginei várias vezes que fosse mentira, não acreditava. E o que parecia lenda, tornou-se substancial quando eu vi ao longe, alguém gritando. Eu ando, ou corro, não sei. Eu só fico olhando fixo, pro outro lado da praça. Quero chegar logo, quero ter certeza de tudo. Quero aqueles abraços. E eu os tenho, completos e significativos. Sabe aquele abraço que não tem espaço nenhum entre dois corpos, que os braços preenchem em forma de C alguém especial, aquele abraço confortante, que diz mil coisas em um único gesto?É, esse mesmo! Fotos, emoctions, letras, agora movimentos, expressões, vozes. Ficou tudo mais vivo. Sentir-se vivo é você experimentar a sensação do coração bater mais forte, de você não conseguir organizar as palavras pra dizer, de você tremer, de tanta adrenalina. É isso.
E morram de inveja. Eu joguei truco com a Juliana, que por sinal é muito boa. Eu disse muito?Coloca um x3 aí na frente. Eu sentei do ladinho da Sara, do ladinho. Eu andei de cavalinho com o Jota. Eu ri com eles, não, eu não ri, eu dei gargalhada. Cara, eu chorei de rir, é fato. Eu dei beijos estalados, aqueles que eu sempre mandava por MSN, corremos pela calçada da lagoa, mesmo sentindo muito frio e dores nos nossos tornozelos sedentários, nós pulamos pra livrar do frio em frente ao orelhão (não pára, não pára!), comemos bolo de cenoura que eeeeeeeeeu fiz, a Sara e a Juliana me expulsaram do meu próprio quarto e fizeram algo que eu ainda não sei o que é (não gente, não foi isso), eu ouvi o ‘ueba’ que o Jota sempre manda pra mim pelo MSN e ele também me ensinou a roubar, discretamente, com um espirro. Hoje eu vou lá roubar a tartaruga, será que alguém percebe?Também observei abismada a Juliana e a Sara tentando colocar um palito quebrado no nariz pra depois soprar, assim como os movimentos estranhos que as duas e o Jota conseguem fazer com a mão e com o rosto.Eu cantei música ruim com a Juliana, nós nomeamos os peixes da praça, sentamos na grama e eu joguei ela no Jota que reclamou o teeempo todo que tava pinicando, eu queria ter dado a luminária japonesa de trinta e nove reais que a Juliana gostou, eu tive aulas de botânica com o Jota, eu dei um par de brincos pra Sara e pra Juliana (sim, apenas um par), descobri que a Juliana quer fazer química, o que é uma pena, ainda acho que ela teria sucesso em artes.E eu conheci a Tia Silvia, a intermediária do nosso momento tão esperado e jamais esquecido.Um amor, uma mãe extraordinária e única, que preza imensamente o bem estar dos seus filhos e amigos deles.
Eu, nós, muitas coisas :D
E agora eu posso tomar leite com nescau todo dia de manhã na caneca que me ensinou o alfabeto e que café em inglês é ‘coffee’, posso ficar amassando o meu mais novo cão, o Pistache (por que o chinelo da Sara é pistache), também posso andar com o carrinho do cartão, que ta vindo pra Guaíra, e lembrar que a Juliana é super criativa e atua muito bem.Ver o suco de laranja que o Jota desenhou e o que ele escreveu no guardanapo da pizzaria e relembrar o quanto ele se expressa bem, o quanto ele me fez rir.Ler a pequena-enorme carta da Sara, escrita a lápis (que ela odeia) e jamais esquecer do quanto essa garota é especial, que atrás do rostinho tímido que eu conheci ontem, tem milhões de coisas que eu descobri há muito tempo, e descubro a cada dia.
Digo então,
Ju,
a gente mal conversava e acho que me arrependo disso. Você é fantástica, de verdade, como disse, adorei te conhecer.
Jotinha,
fofo como eu imaginei e engraçado como talvez eu não tinha imaginado (é, você se superou). U, doce, um doce.
Sarinha,
você é única. Não precisa se desculpar, nem dizer que você é estranha, eu entendi o seu jeito. Não se preocupe e você também sabe a importância que tem pra mim.
Sempre quando eu termino um texto, fica uma sensação estranha de que eu esqueci de algo, mas dessa vez o texto ta perfeito, o que falta é vocês aqui perto de mim. É longe, mas a gente dá um jeito. Um dia, foi pouco, mas expressivo. Eu digo, sem mais delongas, que eu realmente gostei de ter conhecido vocês, o jeitinho de vocês. Foi bom cara. Foi mágico, eu diria. Foi e ainda será. No final do ano eu to aí. E é sério.
E é naquele esquema, ‘enquanto houver vocês do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar’.
Nota: Luísa, você fez falta moça.
Ouvindo: O Anjo Mais Velho – O Teatro Mágico