Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Um Dia Cor de Menta

Ao entrar apressada no circular, Lis nota que restavam vagas apenas as poltronas do corredor. Apesar de não ter preferência, gostava das que ficavam na janela. Sentou resmungando, como de costume.

A cada ponto, aquele lugar ficava mais cheio e menos agradável. Não gostava de muitas pessoas, todas assim, juntas. O sol estava ainda mais chato e sabia que iria mal na prova de física.

Alguém não muito desconhecido se destaca entre as pessoas que estavam em pé. Cabelo arrepiado, pinta discreta no canto da face, camiseta do Sonata Arctica. Ele estava ali, sua paixão da quarta série estava exatamente na sua frente. Tantos anos e ela jamais poderia esquecê-lo. Aqueles olhos negros e intensos que já a observaram todos os dias no colégio. Tardes de mãos dadas, sorriso inocente e beijo no rosto. Frases de poemas simples declarados a luz do dia. Estava tudo vivo em sua memória antes fragilizada.

Seu nome, Arthur.

Ao examiná-lo, percebe um chaveiro com a metade de um coração preso ao seu estojo. Encontrava-se meio desgastado e velho, mas estava ali. Seu coração agora pulsante grita pela outra metade. Lis desvia o olhar para sua mochila, precisava encontrá-lo. Aquela desordem dificultava qualquer tentativa. Canetas, agenda, moletons, apostilas. O ônibus pára e ela não percebe. Segundos depois, suspira. Volta o olhar onde antes estava fixo. Mas aquela silhueta intrigante havia sumido. A sensação de talvez nunca vê-lo novamente a angustiou.

Ouvindo: Snow Patrol – Open Your Eyes

6 comentários:

Teko disse...

Putz...show de descrição!
É...todos temos paixões de infância!
hehehhehehhehe
Abraço, até!

Ana Lara disse...

Primaaa..mto gracinha o seu conto..fikei com vontade d saber o resto da historia...axo q isso eh bom sinal...hehe...tem continuaçao}??...rsrsrs...
bjuu

Déborah Capel disse...

Lais, acabei de passar em seu outro blog e como nele também sou nova por aqui.
Por mais incrível que pareça esses amores de infância sempre reaparecem e infelizmente na maioria das vezes nas horas indevidas.
Mas assim é a vida, encontros e desencontros.
Fique com Deus. ;*

Victor Lustin disse...

Que lindo, Lais (sem acento)... Eu estava lendo seu texto (muito bom e muito pobre, sobre busão e papapá), quando de repente li o seu profile e descobri que você adora dividir um Kinder Ovo...

Como assim? Dividir Kinder Ovo! Ninguém gosta de dividir Kinder Ovo! É o mesmo que pedir golada de Yakult, ninguém quer!!!

=/

marron-glace.blogspot.com

JANPITER disse...

Amores da infância nunca passam...
que bom!

beijo linda
JANPITER
http://meiaspalavras.wordpress.com/

taís_julião disse...

Lis!

Como descobriu esse nome???